domingo, 31 de outubro de 2010

Segredos Debaixo de Água

A descida do nível da água na albufeira de Castelo do Bode, durante os meses quentes do ano, provoca o aparecimento de muitas estruturas que estão submersas durante grande parte do tempo. Já foi aqui mostrado no blog alguns exemplos de estruturas submersas, como a antiga Ponte de Vale da Ursa ou a Fábrica de Ferro na Foz de Alge.


A pequena ponte que é mostrada na figura acima encontra-se na localidade de Vale do Serrão e servia antigamente uma estrada que passava sobre uma ribeira nesta localidade. A parte superior da ponte encontra-se aproximadamente à cota 114m e por isso durante a maior parte do ano, esta encontra-se submersa.

Os leitores que tenham fotos ou a localização de pequenas estruturas submersas, tal como a ponte da foto acima, poderão partilhar e enviar para o email do blog: castelodebode@gmail.com

sábado, 16 de outubro de 2010

Histórias do Camião Gigante

Na década de 40 e 50 do século passado, durante a construção de muitas Barragens Nacionais, foi necessário adquirir um camião que permitisse realizar o transporte de máquinas de grande porte para as Centrais, tal como são as turbinas. Tal como já foi referido aqui no blog, esse camião devido à sua grande dimensão para a época, foi palco de inúmeras historias um pouco por todos os lugares por onde passava.

Coloco aqui um documento com alguns relatos sobre o Camião Gigante, como por exemplo:

"(...) a primeira viagem daqui para o Castelo de Bode levou um mês!! (...) Um mês!! Um mês!! (...) era a primeira vez e havia que fazer reforços de muita coisa: de viadutos, não é, de… obras que atravessavam a estrada, não é. De maneira que isso levou… e tínhamos que levar sempre um… uma grua móvel … e tínhamos uns… uns estrados próprios para montar e para preservar essas coisas todas, era muito trabalhoso. E aquilo, quando andava a 100 quilómetros à hora já era
muito, não é. Portanto, era muito moroso. Mas depois, claro, nós fomos - a pouco e pouco - fomos reduzindo as coisas que tínhamos que… que proteger, porque fazíamos outros desvios (...) para evitar essas coisas."

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O que pode ver no coroamento da Barragem de Castelo do Bode

Quando um visitante chega à barragem de Castelo do Bode, para além de contemplar a imponente estrutura ali implantada e poder andar sobre a barragem, ao longo da estrada que por ali passa, pode observar outras coisas que passam despercebidas à maioria dos visitantes.

Para quem vem pelo concelho de Abrantes, umas das primeiras coisa que poderá fazer é descer as escadas que estão colocadas no lado de jusante da barragem.


Agora com a colocação de um guarda-corpos, a segurança para quem passa por aqui foi aumentada, evitando assim acidentes. As escadas servem de acesso a um ponto referenciado que serve para medir deslocamentos relativos entre esse mesmo ponto e outros pontos colocados nas margens e na barragem. Através destas medições é possível saber os deslocamentos entre pontos na barragem, nas margens ou entre a barragem e as margens, garantindo assim uma monitorização da estrutura ao longo do tempo.


Neste ponto é possível ter uma perspectiva diferente sobre a barragem.

Continuando ao longo do passeio sobre a barragem, do lado de jusante, existem letras que estão marcadas na parede a vermelho. Estas letras representam a designação das juntas de betonagem da barragem, juntas esta que delimitaram as diferentes zonas de betonagem durante a construção da barragem e que conseguem acomodar pequenos deslocamentos da estrutura. Como consequência surgem as descontinuidades no asfalto da estrada que passa sobre a barragem.

O fim do arco da barragem é delimitado por dois maciços de betão que estão na imagem abaixo.


Nesta margem é possível ver um dos acessos à galeria do piso superior da barragem, que se estende por debaixo da estrada, entre as duas margens. Este acesso representa uma das extremidades da galeria.
Também nesta margem existe um placard informativo, colocado pelo Instituto da Água, onde é possível ver uma imagem esquemática da albufeira e um conjunto de restrições à utilização da mesma.



De regresso para o local inicial e seguindo pelo passeio de montante, encontram-se 5 zonas salientes do coroamento da barragem. Estas zonas correspondem às duas entradas de água para as descargas de fundo e as 3 entradas de água para as turbinas da barragem (correspondem às 3 saliências do meio). As entradas de água estão localizadas nestes alinhamentos a mais de 70 metros de profundidade.


Nesta zona da barragem também é possível ver uma régua, onde está representada a cota do nível da água e umas escadas que descem até a um patamar intermédio.



Estas saliências do coroamento da barragem possuem no seu interior meios de operação manual, das comportas de seccionamento das entradas de água para as turbinas, para em caso de emergência, avaria ou manutenção ser possível interromper a entrada de água para a tubagem que dá acesso às turbinas.


Um pouco mais à frente encontram-se mais duas saliências do corpo da barragem, mas desta vez com uma forma parabólica. Estas fazem a delimitação da entrada de água para o descarregador de superfície, que ao contrario das restantes entradas de água, encontra-se bastante próximo da superfície e possui uma área muito superior.


Por ultimo, nesta zona encontra-se mais um acesso para a galeria do piso superior da barragem, que possui ligação com o acesso mostrado anteriormente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cota da Albufeira durante o Verão

Devido à fraca precipitação nesta altura do ano, a água armazenada durante o período das chuvas, na albufeira, é utilizada para a produção de energia, tirando assim o maior rendimento do Complexo de Castelo do Bode. Como consequência a cota da albufeira desce durante toda a época de Verão.
Desde o início de Junho até ao dia de hoje a superfície da água na albufeira já desceu 3,82 metros, um valor que é bastante perceptível a olho nu para quem frequenta aquele espaço. As maiores descidas ocorreram durante os meses de Junho e Julho, quando a cota da albufeira se encontrava acima dos 116 metros e os níveis de armazenamento eram bons, chegando mesmo a atingir uma taxa de descida superior a 1 metro/semana. Durante os meses de Agosto e Setembro, a quantidade de água que passa pelas turbinas da Central Hidroeléctrica é menor e o ritmo de descida da albufeira abrandou, estando actualmente a cotar abaixo dos 115 metros.

Em baixo é possível ver um gráfico com as cotas da albufeira desde o início de Junho até ao dia de hoje.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"Ele testemunhou como surgiu o nome "Castelo do Bode""

Este foi o título do artigo que foi publicado na edição do dia 5 de Agosto de 2010, do jornal "O Templário". Em seguida coloco o texto integral do artigo:

" "Eu assisti, eu estava lá, tinha 6, 7 anos". Conta entusiasmado Ernesto Antunes de 81 anos, residente na rua da Saboaria em Tomar. Ele é a única testemunha viva que presenciou o surgimento do nome "Castelo do Bode".
Com um brilhozinho nos olhos relata como o "baptismo" daquele lugar aconteceu na década de 30 do século XX.
Nessa altura, o pai de Ernesto Antunes explorava carros de praça, o equivalente aos actuais táxis. Os engenheiros encarregues dos primeiros estudos para a construção da barragem de Castelo do Bode tinham de se deslocar ao terreno para estudos do terreno e levantamento topográfico.
Para essas deslocações alugavam um "carro de praça" conduzido por Bernardo Antunes, pai de Ernesto, na altura um menino com 6, 7 anos que gostava de acompanhar as viagens. Sem as estradas que há hoje em dia, para se chegar à zona onde está a barragem, o carro tinha de seguir por estradas de terra batida em direcção a Rio de Moinhos (Abrantes), Montalvo, Martinchel e seguia-se dali a pé até ao rio Zêzere. Seguiam os trilhos que os pescadores faziam para chegar aos caneiros de apanha de peixe.
Ernesto diz que se lembra de tudo. Ia ele a transportar os rolos de papel (mapas), o seu pai como motorista, e dois engenheiros.
Ao descerem para o rio, um dos engenheiros comentava a beleza natural daquela zona, 100 metros abaixo do actual nível da água. Na encosta do lado de Tomar existiam enormes penedos cinzentos que pareciam formar um castelo. Enquanto constatavam esta morfologia fora do vulgar, por coincidência, um bode começa a berrar num dos penedos.
"Até parece um castelo, olha é o Castelo do Bode, e assim ficou", lembra-se Ernesto Antunes, a última testemunha viva da denominação.
A barragem foi inaugurada em Janeiro de 1951."