terça-feira, 28 de setembro de 2010

O que pode ver no coroamento da Barragem de Castelo do Bode

Quando um visitante chega à barragem de Castelo do Bode, para além de contemplar a imponente estrutura ali implantada e poder andar sobre a barragem, ao longo da estrada que por ali passa, pode observar outras coisas que passam despercebidas à maioria dos visitantes.

Para quem vem pelo concelho de Abrantes, umas das primeiras coisa que poderá fazer é descer as escadas que estão colocadas no lado de jusante da barragem.


Agora com a colocação de um guarda-corpos, a segurança para quem passa por aqui foi aumentada, evitando assim acidentes. As escadas servem de acesso a um ponto referenciado que serve para medir deslocamentos relativos entre esse mesmo ponto e outros pontos colocados nas margens e na barragem. Através destas medições é possível saber os deslocamentos entre pontos na barragem, nas margens ou entre a barragem e as margens, garantindo assim uma monitorização da estrutura ao longo do tempo.


Neste ponto é possível ter uma perspectiva diferente sobre a barragem.

Continuando ao longo do passeio sobre a barragem, do lado de jusante, existem letras que estão marcadas na parede a vermelho. Estas letras representam a designação das juntas de betonagem da barragem, juntas esta que delimitaram as diferentes zonas de betonagem durante a construção da barragem e que conseguem acomodar pequenos deslocamentos da estrutura. Como consequência surgem as descontinuidades no asfalto da estrada que passa sobre a barragem.

O fim do arco da barragem é delimitado por dois maciços de betão que estão na imagem abaixo.


Nesta margem é possível ver um dos acessos à galeria do piso superior da barragem, que se estende por debaixo da estrada, entre as duas margens. Este acesso representa uma das extremidades da galeria.
Também nesta margem existe um placard informativo, colocado pelo Instituto da Água, onde é possível ver uma imagem esquemática da albufeira e um conjunto de restrições à utilização da mesma.



De regresso para o local inicial e seguindo pelo passeio de montante, encontram-se 5 zonas salientes do coroamento da barragem. Estas zonas correspondem às duas entradas de água para as descargas de fundo e as 3 entradas de água para as turbinas da barragem (correspondem às 3 saliências do meio). As entradas de água estão localizadas nestes alinhamentos a mais de 70 metros de profundidade.


Nesta zona da barragem também é possível ver uma régua, onde está representada a cota do nível da água e umas escadas que descem até a um patamar intermédio.



Estas saliências do coroamento da barragem possuem no seu interior meios de operação manual, das comportas de seccionamento das entradas de água para as turbinas, para em caso de emergência, avaria ou manutenção ser possível interromper a entrada de água para a tubagem que dá acesso às turbinas.


Um pouco mais à frente encontram-se mais duas saliências do corpo da barragem, mas desta vez com uma forma parabólica. Estas fazem a delimitação da entrada de água para o descarregador de superfície, que ao contrario das restantes entradas de água, encontra-se bastante próximo da superfície e possui uma área muito superior.


Por ultimo, nesta zona encontra-se mais um acesso para a galeria do piso superior da barragem, que possui ligação com o acesso mostrado anteriormente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cota da Albufeira durante o Verão

Devido à fraca precipitação nesta altura do ano, a água armazenada durante o período das chuvas, na albufeira, é utilizada para a produção de energia, tirando assim o maior rendimento do Complexo de Castelo do Bode. Como consequência a cota da albufeira desce durante toda a época de Verão.
Desde o início de Junho até ao dia de hoje a superfície da água na albufeira já desceu 3,82 metros, um valor que é bastante perceptível a olho nu para quem frequenta aquele espaço. As maiores descidas ocorreram durante os meses de Junho e Julho, quando a cota da albufeira se encontrava acima dos 116 metros e os níveis de armazenamento eram bons, chegando mesmo a atingir uma taxa de descida superior a 1 metro/semana. Durante os meses de Agosto e Setembro, a quantidade de água que passa pelas turbinas da Central Hidroeléctrica é menor e o ritmo de descida da albufeira abrandou, estando actualmente a cotar abaixo dos 115 metros.

Em baixo é possível ver um gráfico com as cotas da albufeira desde o início de Junho até ao dia de hoje.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"Ele testemunhou como surgiu o nome "Castelo do Bode""

Este foi o título do artigo que foi publicado na edição do dia 5 de Agosto de 2010, do jornal "O Templário". Em seguida coloco o texto integral do artigo:

" "Eu assisti, eu estava lá, tinha 6, 7 anos". Conta entusiasmado Ernesto Antunes de 81 anos, residente na rua da Saboaria em Tomar. Ele é a única testemunha viva que presenciou o surgimento do nome "Castelo do Bode".
Com um brilhozinho nos olhos relata como o "baptismo" daquele lugar aconteceu na década de 30 do século XX.
Nessa altura, o pai de Ernesto Antunes explorava carros de praça, o equivalente aos actuais táxis. Os engenheiros encarregues dos primeiros estudos para a construção da barragem de Castelo do Bode tinham de se deslocar ao terreno para estudos do terreno e levantamento topográfico.
Para essas deslocações alugavam um "carro de praça" conduzido por Bernardo Antunes, pai de Ernesto, na altura um menino com 6, 7 anos que gostava de acompanhar as viagens. Sem as estradas que há hoje em dia, para se chegar à zona onde está a barragem, o carro tinha de seguir por estradas de terra batida em direcção a Rio de Moinhos (Abrantes), Montalvo, Martinchel e seguia-se dali a pé até ao rio Zêzere. Seguiam os trilhos que os pescadores faziam para chegar aos caneiros de apanha de peixe.
Ernesto diz que se lembra de tudo. Ia ele a transportar os rolos de papel (mapas), o seu pai como motorista, e dois engenheiros.
Ao descerem para o rio, um dos engenheiros comentava a beleza natural daquela zona, 100 metros abaixo do actual nível da água. Na encosta do lado de Tomar existiam enormes penedos cinzentos que pareciam formar um castelo. Enquanto constatavam esta morfologia fora do vulgar, por coincidência, um bode começa a berrar num dos penedos.
"Até parece um castelo, olha é o Castelo do Bode, e assim ficou", lembra-se Ernesto Antunes, a última testemunha viva da denominação.
A barragem foi inaugurada em Janeiro de 1951."

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Castelo do Bode esteve prestes a transbordar"

Este foi o título de um artigo publicado no Jornal Expresso no final do ano de 1989. O artigo refere que a água esteve a poucos centímetros de transpor o muro da barragem e como consequência foram feitas descargas na ordem dos 10000 metros cúbicos por segundo. A central elevatória da EPAL, situada a jusante da barragem ficou inundada, deixando de fornecer água à cidade de Lisboa. Apesar disso os habitantes de Lisboa não foram afectados devido às reservas existentes em reservatórios na capital.

Segundo um relato de uma pessoa que passou durante vários anos diariamente sobre a barragem de Castelo do Bode, a circulação sobre a barragem esteve interdita durante um dia, não sabendo a data exacta da ocorrência.

No dia 21 de Dezembro de 1989 a cota de água na barragem de Castelo do Bode poderá ter estado elevada, mas segundo os registos do Instituto da Água esteve sempre bastante abaixo do nível máximo da albufeira de 121,50 metros. Nesse dia o registo da cota do nível da água é de 119,83 metros, bastante inferior à cota da estrada sobre a barragem nos 123 metros.
O artigo do Expresso refere ainda que foram feitas descargas na barragem na ordem do 10000 metros cúbicos por segundo, mas a capacidade de descarga da barragem é de apenas 4500 metros cúbicos por segundo, tornando-se assim impossível atingir aquele valor. Segundo os dados do Instituto da Água, o valor médio de descarga daquele dia foi de 2115 metros cúbicos por segundo, o que significa que o descarregador de superfície esteve aberto com mais de 25% da sua capacidade.

Um dia complicado na barragem de Castelo do Bode mas não tanto como à primeira vista possa parecer.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Visita ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Castelo do Bode - Ciência Viva

No âmbito da iniciativa Ciência Viva no Verão irão ser realizadas duas visitas ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Castelo do Bode. As visitas irão ocorrer nos dias 20 de Agosto e 11 de Setembro. Para inscrições e mais informações poderá consultar o seguinte endereço: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/engenharia/eng2010/index.asp?accao=showactiventidade&id_actividade=5&id_entidade=179