sexta-feira, 16 de abril de 2010

Subsistema de Castelo do Bode

O subsistema de Castelo do Bode é a parte inicial de uma longa rede de transporte de água desde a albufeira até às populações. Este é constituído pela albufeira de Castelo do Bode, pela torre de captação na albufeira, pelo túnel que irá ligar à estação elevatória e pelas condutas que ligam a estação elevatória à ETA da Asseiceira. Este subsistema termina na Estação Elevatória de Vila Franca de Xira.
A captação de água na albufeira já está planeada desde a década de 30 do século passado, sendo considerada na época uma origem essencial para um futuro reforço no abastecimento de água a Lisboa. Assim durante as obras da barragem, em 1949, foi construída a base da Torre de Tomada de Água, tornando-se mais fácil a construção total da torre depois do enchimento da albufeira. Como é possível ver na imagem abaixo, nos primeiros anos da exploração da barragem de Castelo do Bode não existia a Torre de Tomada de Água.


Só em 1987 entrou em funcionamento o subsistema de Castelo do Bode, abastecendo de água a cidade de Lisboa e mais tarde, em 1993 começou também a abastecer a zona envolvente à Estação de Tratamento da Asseiceira.

Imagem fornecida pela EPAL

Na imagem acima é possível ver a construção da base da torre de tomada de água, durante a construção da barragem.

Imagem fornecida pela EPAL

Na fotografia acima é possível ver a segunda fase de construção da Torre de Tomada de Água.

A Torre de Tomada de Água possui uma plataforma no seu topo, à cota 124 m. Existem 6 aberturas para a entrada de água em 3 níveis diferentes. Cada nível possui duas aberturas e os níveis encontram-se nas cotas 88,5 m, 95,4 m e 104,5 m.
A ligação entre a torre e o túnel que leva a água para a estação elevatória é feita à cota 50 m. A Torre de Tomada de água possui um diâmetro interior, na base, de 2,2 m e no topo de 7 m, estando dimensionada para um caudal de 11,5 m3/s.


O túnel de Castelo do Bode, que faz a ligação entre a Torre de Tomada de Água e a Estação Elevatória, tem um comprimento de 1080m, passando na margem Norte do rio Zêzere, afastado da barragem. O túnel tem o seu início na cota 50 m e termina à cota 41,59 m. Este é feito de betão armado com excepção dos últimos metros que são em aço.

Imagem retirada de http://www.sofomil.pt

A estação elevatória de Castelo do Bode está dividida em duas estações, sendo a primeira a estação principal constituída por 5 grupos de velocidade variável e 3 grupos de velocidade constante, com estes últimos a terem uma altura manométrica de 63,5 m e capacidade para 1,45m3/s cada. A segunda estação possui apenas dois grupos de velocidade variável.
As estações elevatórias têm como função levar a água até à Estação de Tratamento da Asseiceira.


As duas condutas que levam a água até à ETA da Asseiceira possuem um diâmetro interior de 1,8 m. Nos seus primeiros metros as condutas são de aço com 1cm de espessura passando depois a condutas de betão armado pré-esforçado. As condutas têm uma extensão aproximada de 8700 metros.
No ponto mais alto das condutas encontram-se duas grandes chaminés de equilíbrio que controlam as pressões no interior das condutas no caso de oscilações do volume de água transportado. Estas chaminés possuem um diâmetro interior de 11,75 m e uma altura de 27 m, sendo possível ver ambas na imagem anterior.
Ao longo do traçado existem 30 ventosas, 16 válvulas de descarga de fundo e uma válvula de seccionamento. Foi necessário realizar duas travessias aéreas no traçado, sobre a Ribeira do Zairinho e sobre o Rio Nabão.

No fim do troço encontra-se a Estação de Tratamento de Água da Asseiceira com a função de assegurar o tratamento de lamas e reciclagem de todo o efluente liquido. Esta estação é constituída por duas linhas independentes com capacidade para 5,75 m3/s e 2,875m3/s.
No fim de todo o processo de tratamento, a água tratada segue por 3 condutas gravíticas em que duas constituem o adutor de Vila Franca de Xira e a terceira abastece os municípios do Médio Tejo.

Imagem retirada de http://sandrafernandes.pbworks.com

Informação fornecida pela EPAL

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Qualidade da Água na Albufeira

Todos os anos milhares de pessoas deslocam-se, durante a época balnear, até à albufeira de Castelo do Bode. Este é um lugar onde se pode fazer pratica balnear condicionada aos locais destinados.
A maioria das pessoas que frequenta esta zona não tem conhecimento da qualidade da água que utilizam e dos perigos que podem correr estando a tomar banho em águas com má qualidade.

Os usos que se fazem das margens da albufeira têm uma grande influência na qualidade da água da mesma. Os terrenos agrícolas nas margens da albufeira poderão levar a que os fertilizantes usados nas terras atinjam a água da albufeira provocando a floração das águas e diminuição da sua transparência.
Outras fontes pontuais de poluição que existem na albufeira são as descargas directas e as fossas sépticas colectivas de alguns aglomerados urbanos. Estas fontes têm um grande impacto na poluição das águas e por isso todos estes emissores estão identificados, como se pode ver na imagem seguinte, onde se mostra as ETAR, as descargas directas e as fossas sépticas colectivas existentes na albufeira de Castelo do Bode.

Fonte: http://snirh.pt

Ao nível da qualidade da água na albufeira os valores dos parâmetros a considerar nesta avaliação têm registado alterações significativas em alguns anos. No ano de 2006, um dos piores anos em termos de qualidade da água na albufeira, os valores de coliformes totais não estavam dentro do intervalo admissível para a prática balnear. Esta contaminação anormal ocorreu por uma origem natural desconhecida e era mais intensa na zona da albufeira próxima da barragem.
Os casos mais graves de contaminação das águas estão localizados perto da barragem, na zona da Aldeia do Mato e na torre de captação de água da EPAL. Nesta zona a qualidade da água tem vindo a deteriorar-se colocando mais dificuldades ao processo de transformação da água da albufeira em água potável, por parte da EPAL.

Entre os anos de 1995 e 2008, a água da albufeira obteve uma classificação, quanto à qualidade para prática balnear, de "Boa" em oito vezes, "Razoável" em quatro vezes, "Má" uma vez e "Muito má" também uma vez. No panorama nacional, no ano de 2008, 35,5% das zonas analisadas obtiveram uma classificação de "Bom", 28% uma classificação de "Razoável" e 11,8% uma classificação de "Muito má". De realçar que não existiu nenhum "Excelente" no ano de 2008.
Em seguida mostra-se um gráfico com essas mesmas classificações para a albufeira de Castelo do Bode.

Fonte: http://snirh.pt

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Fotos Anteriores à Barragem

Estas são algumas fotografias do rio Zêzere, anterior à construção da barragem de Castelo do Bode, que foram usadas em calendários de 2008 da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere.


Uma fotografia que já aqui tinha sido mostrada da antiga Vila de Dornes



Fotografia de uma roda na localidade de Rio Fundeiro que actualmente se encontra submersa.

terça-feira, 23 de março de 2010

Galerias no Interior da Barragem

A barragem de Castelo do Bode, ao contrário do que muitas pessoas pensam, apresenta diversas galerias no seu interior e até um elevador.
Logo no topo da barragem, por debaixo da estrada, existe uma galeria de coroamento com uma extensão próxima do total coroamento da barragem. Esta galeria possui uma ligação ao elevador que circula desde a central hidroeléctrica até a esta galeria e possui mais duas ligações ao exterior da barragem por duas portas que se podem ver no coroamento da barragem, uma próximo do topo Norte e outra aproximadamente a meio do coroamento. A galeria de coroamento também dá acesso a uma varanda sobre os descarregadores de cheias e no extremo Sul tem ligação à galeria de drenagem.

Um nível abaixo da galeria de coroamento existe outra galeria à cota 90,5m. Esta galeria tem um comprimento inferior à galeria de coroamento. Para além de esta servir para inspecção, dá acesso aos descarregadores de cheias e à sala de controlo manual destes.

À cota 72,50 existe uma curta galeria de inspecção apenas com acesso ao elevador.

A última galeria horizontal situa-se à cota 48,5m. Esta galeria faz a ligação entre a central hidroeléctrica e a barragem. No extremo sul desta galeria existe comunicação com a galeria de drenagem.

A galeria mais comprida é a galeria de drenagem. Esta galeria percorre toda a parte inferior da barragem, perto da zona de fundação, próximo do paramento de montante. Devido à sua acentuada inclinação e para permitir o uso da galeria para inspecção, existem escadas e um corrimão de apoio para se poder circular nesta.
Ao contrário da outras galerias esta tem uma função bastante importante no comportamento estrutural da barragem. A sua função é diminuir a pressão ascensional que se desenvolve de baixo para cima nas fundações da barragem devido à pressão intersticial da água na rocha de fundação. Esta força pode ser diminuída durante a construção com a injecção das fissuras e aberturas existentes, mas não pode ser eliminada.
A galeria de drenagem consegue diminuir uma importante componente da pressão ascensional através de furos verticais, que são realizados ao longo desta e que se estendem até ao solo de fundação. Estes furos vão libertar a pressão intersticial provocada pela água, dando a possibilidade da mesma subir pelos furos para o interior da galeria de drenagem. Os furos poderão ter diâmetros entre os 5cm e 15cm e profundidades entre os 10 metros e os 30 metros. Na zona mais baixa da galeria de drenagem, à cota 17m, existe uma galeria radial que encaminha as possíveis águas que subam à galeria de drenagem, para jusante.


Poderá ver imagens das galerias neste post.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Descargas nos Últimos Anos

O ano de 2010 começou com as barragens nacionais a serem palco de atenção por parte dos media e da população em geral. A grande quantidade de precipitação durante o mês de Janeiro provocou um forte aumento de caudal no cursos de água nacionais que levou muitas barragens a ter necessidade de utilizar os seus descarregadores de cheias.
Durante este ano a barragem de Castelo do Bode esteve com os descarregadores abertos durante 25 dias. Este é um valor que desde 1991 apenas foi ultrapassado duas vezes, no ano de 1996 com 47 dias em descarga e no ano de 2001 com 49 dias de descarga.
Se analisarmos apenas a quantidade de água descarregada, passam a ser 4 os anos com mais água descarregada do que este ano de 2010. O ano de 1996 foi o ano com mais quantidade de água descarregada desde 1991, com um total que supera em mais de 3 vezes a quantidade de água descarregada durante este ano.
Em baixo pode-se ver um gráfico com a quantidade de água que saiu pelas descargas de fundo ou descarregador de cheias, desde o ano de 1991 sem contabilizar as aberturas dos descarregadores para manutenção ou inspecção técnica.


Como a quantidade de água descarregada depende em muito da quantidade de precipitação na bacia hidrográfica que é abrangida pela barragem, mostra-se em seguida um gráfico com a variação da quantidade de precipitação em Portugal Continental em relação à média dos intervalo 1971-2000.(Dados retirados do relatório de 2009 do Instituto de Meteorologia)


Estes são dados que apesar de mostrarem o desvio da precipitação em relação à média, dizem pouco em relação à necessidade da barragem de Castelo do Bode abrir os seus descarregadores. Se a quantidade de precipitação num dado ano foi elevada mas distribuída uniformemente ao longo do ano, a albufeira e as turbinas conseguem conter e gerir esse caudal extra de forma a evitar as descargas.
Observando o gráfico de precipitações é possível verificar que em todos os anos que a quantidade de precipitação no território continental foi superior à média de 1971-2000, os descarregadores de cheias na barragem de Castelo do Bode estiveram abertos com excepção do ano de 1998 onde a precipitação ficou abaixo da média de 1971-2000 mas os descarregadores estiveram abertos durante 4 dias.