segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Imagens da Barragem em Construção

Volto a apresentar mais algumas imagens da construção da barragem de Castelo do Bode.

Nesta imagem é possível ver em destaque a entrada do túnel construído na encosta da barragem, para desviar o curso do rio da zona de construção.


Vista de jusante da barragem.



quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Como Funciona a Barragem

Muito se tem falado por aqui sobre a história ou os acontecimentos na barragem, mas para se estar dentro do contexto abordado é necessário conhecer como funciona a barragem de Castelo do Bode.

A barragem de Castelo do Bode é uma barreira artificial ao curso das águas do Zêzere, pretendendo assim reter a maior quantidade de água possível a montante, de forma a conseguir aproveitar a água armazenada. Também faz parte do Complexo de Castelo do Bode a central hidroeléctrica, localizada no pé da barragem, que neste caso tem ligação directa com a barragem.
A altura de água a montante da barragem é o que fornece energia para a central hidroeléctrica, através da conversão da energia potencial da água em repouso em energia cinética da água em movimento. Assim quanto maior for a altura de água a montante, maior vai ser a capacidade da albufeira para produzir energia.
À diferença de alturas entre a superfície de água na albufeira e a turbina designa-se de queda bruta. Para a turbina poder funcionar é necessário que a queda bruta esteja dentro de um intervalo de valores, que no caso de Castelo do Bode terá que ser superior a 53 metros e inferior a 96 metros. Se for retirado ao valor da queda bruta as perdas a que o escoamento está sujeito, entre a albufeira e a turbina, como o atrito da tubagem ou a passagem brusca de uma albufeira para uma tubagem, é obtida a queda útil. Este último valor é o condicionante para a produção de energia e por isso deve ser o mais próximo possível da queda bruta, de forma a aproveitar o máximo da altura de água na albufeira.

A água depois de entrar na barragem através de um dos 3 canais interiores de betão armado, que conduzem a cada uma das turbinas, irá passar por uma válvula que regula a entrada de água para a turbina em causa. Esta válvula pode ser aberta ou fechada consoante a turbina esteja em funcionamento ou não.
Depois da válvula a água entra dentro da máquina hidráulica que contêm a turbina.



A turbina instalada na barragem de Castelo do Bode é do tipo Francis. O tipo de turbinas utilizadas depende não só da queda bruta mas também do caudal a turbinar.


A maquina hidráulica, que é a turbina, é consituída por uma câmara de entrada, uma voluta, um distribuidor com pás, a turbina, uma roda e um difusor. A água depois de entrar na câmara de entrada segue para a voluta que não é mais que uma tubagem em espiral em torno da turbina que encaminha a água para o distribuidor. O distribuidor é um órgão mecânico, situado em torno da turbina, constituído por várias pás que através da abertura ou fecho das mesmas, determina a quantidade de água a entrar para a turbina. Depois da água passar pelo distribuidor vai para as pás da roda, que se podem ver na figura acima, dando origem ao movimento de rotação da mesma por um fenómeno de acção-reacção. A água sai da turbina por baixo da roda, através de um difusor que a encaminha para o exterior, promovendo uma recuperação parcial da energia cinética.


A roda tem ligado ao seu eixo um veio que está ligado acima a um alternador. Este alternador, tal como um dínamo, através da rotação provocada pelo veio que está ligado à turbina e passando pelos pólos do alternador, produz energia eléctrica.


A variação de caudal nas turbinas também provoca variações na energia produzida e principalmente no rendimento do grupo gerador. Para a barragem de Castelo do Bode o caudal máximo turbinável em cada uma das turbinas é de 80m3/s e para este caudal o rendimento das turbinas é de aproximadamente 90%. A partir do caudal de 60m3/s até ao caudal de 16m3/s, o rendimento das turbinas vai regredindo progressivamente dos 90% iniciais até ao rendimento 0%.
Assim é possível perceber que a quantidade de água que entra nas turbinas deve ser rigorosamente controlada de forma a conseguir extrair a maior quantidade de energia da água.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Água Descarregada

Depois da barragem de Castelo do Bode ter descarregado durante 7 dias, as chuvas pararam e a cota de água na albufeira começou a descer.
Para muitas pessoas a barragem estar a descarregar quando o nível de água na albufeira se encontra longe do máximo é um acontecimento difícil de explicar, principalmente quando toda essa água não é usada nem para produzir energia eléctrica nem para abastecer as populações. A água passa directamente através da barragem sem qualquer tipo de aproveitamento.

Durante estes 7 dias a barragem descarregou no total 104 732 352 metros cúbicos de água, numero este bastante elevado e difícil de quantificar, mas que na comparação usual com piscina olímpicas, era suficiente para encher praticamente 42 mil!
Se a barragem não tivesse começado a descarregar no dia 13 de Janeiro e os responsáveis optassem por armazenar um pouco mais de água, a capacidade da albufeira era suficiente para reter 64 920 000 metros cúbicos de água, um valor que corresponde a cerca de 62% do total descarregado. Essa água poderia assim ser utilizada para a produção de energia e abastecimento às populações.
É claro que não se pode colocar estas questões nestes termos porque existem diversas considerações externas à barragem e à EDP que poderão limitar o nível máximo de armazenamento de água, trazendo implicações a montante.

A EPAL, que efectua a captação de água na albufeira de Castelo do Bode para o abastecimento de água às populações, no ano de 2008 captou desta albufeira 162 465 357 metros cúbicos de água, que corresponde a 67% do total de água captada pela empresa.
Analisando a repartição deste valor de água captada e comparando-o com o total de água descarregada neste últimos dias, é possível verificar que se esta ultima fosse armazenada e utilizada na distribuição pela população, industria, etc.., era suficiente para abastecer os concelhos de Cascais, Loures/Odivelas, Oeiras e Sintra durante um ano, concelhos estes que são dos mais populosos de Portugal.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Fotos da Descarga na Bouçã

Coloco aqui algumas fotos da barragem da Bouçã em descarga, no dia 19 de Janeiro de 2010, dia seguinte ao dia em que a barragem esteve a descarregar sobre todo o seu coroamento.










quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

59 Anos da Barragem de Castelo do Bode

Hoje a grande barragem de Castelo do Bode realiza 59 anos. A Barragem foi inaugurada no dia 21 de Janeiro de 1951 e desde então tem produzido electricidade para todos os Portugueses, abastecido de água grande parte da região metropolitana de Lisboa e para além disso oferece uma bonita albufeira que convida às actividades de lazer.

Recordo aqui a noticia publicada no jornal "Cidade de Tomar", no ano de 1951, referente à inauguração da Barragem, notícia esta que poderá dizer pouco sobre a barragem, mas reflecte bem os tempos que se viviam em 1951.

Do texto acima destaco alguns excertos interessantes: "Uma obra que custou 600 mil contos, na nossa moeda - pois, se fosse, suponhamos, em França teria custado mais do dobro..."; "Chegaram ao lugar da barragem pelas 16 horas. Encontra-se, porém, já ali uma tal massa de gente que a passagem dos automóveis que transportavam os ilustres visitantes teve de ser feita com todas as devidas precauções e muito vagarosamente."; "... e prestando justa homenagem aos colaboradores de tal maravilha - desde o operário Nº1, Oliveira Salazar, até ao mais humilde trabalhador que por ali passou..."; "... dirigiu-se o Sr. Presidente da República para a sala do comando onde, depois do Senhor Cardeal Patriarca ter procedido à Bênção da maquinaria e de toda a obra, carregou num botão que accionou toda aquela complicada aparelhagem, iluminando, automaticamente e feéricamente, com a própria energia, toda a Barragem e levando a mesma luz, nuns curtos 9 minutos, para Lisboa, capital do Império.".

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Descargas no Zêzere

A barragem de Castelo do Bode continua a descarregar pela sua descarga de fundo. O nível de água na albufeira tem-se mantido acima da cota 119 metros, consideravelmente abaixo do seu máximo nos 122 metros.

A barragem da Bouçã esteve no dia de ontem a descarregar em toda a extensão do seu coroamento, apesar de no dia de hoje o nível de água na albufeira ter descido e esta se encontrar a descarregar apenas na parte central do seu coroamento.

A barragem do Cabril também se encontra a descarregar.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

As 3 Grandes Barragens do Zêzere em Descarga

Neste momento as barragens de Castelo do Bode, Bouçã e Cabril encontram-se a descarregar pelos seus descarregadores. O Cabril começou no dia de ontem a sua descarga, fazendo subir o nível de água na albufeira da Bouçã. Neste momento a barragem da Bouçã encontra-se perto de começar a utilizar a totalidade do seu descarregador sobre a soleira.

A barragem de Castelo do Bode poderá sentir hoje o aumento do nível da água provocado pelas descargas das duas barragens de montante, mas como esta ainda possui uma margem superior a 2 metros para a cota máxima, provavelmente ainda não será hoje que os descarregadores de superfície entrarão em funcionamento.